segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O professor universitário que está sendo perseguido por seus alunos por não usar pronomes de gênero neutro


Não são raros os idiomas, como o nosso, que apresentam binaridade no gênero de seus pronomes – masculinos e femininos, como você deve ter aprendido na escola. Por essa razão, algumas pessoas, especialmente militantes da causa feminista – que acusam a língua portuguesa de ter uma predominância do gênero masculino no discurso – promovem a utilização do gênero neutro em suas falas.

Quer um exemplo? “Os alunos”.

Você deve estar pensando:

– É fácil resolver essa, basta escrever “os(as) alunos(as)”, certo?

Não para os militantes, que acusam essa tentativa de solução de criar uma divisão binária dos gêneros, limitando as pessoas a se definirem obrigatoriamente como masculinas ou femininas. O que isso causa, segundo eles? Desconforto à comunidade trans, que diz ter o reconhecimento de sua identidade de gênero negado.

A solução encontrada na língua portuguesa (e também na espanhola): substituir as vogais pela letra x ou o arroba (@). Assim, “os alunos” viram “xs alunxs” ou “@s alun@x” nos textões engajados.

Um professor universitário canadense, no entanto, está causando confusão justamente por decidir não aderir à nova ortografia militante. Jordan Peterson, professor de psicologia da Universidade de Toronto, disse em vídeo que se recusava a usar os pronomes “ze” e “zir” no lugar de “she” e “he” no idioma inglês.

Se a pessoa trans quer ser chamada de “ele” ou “ela”, meu bom senso é o de abordá-la de acordo com o gênero que a pessoa se apresenta”, ele conta. “Eu estudei o autoritarismo por um bom tempo – por 40 anos – e ele começa nessa tentativa de as pessoas controlarem a ideologia e a língua dos outros. De maneira alguma vou usar palavras inventadas por pessoas que estão tentando fazer o mesmo. Sem chance.

Pouco tempo depois da publicação online do vídeo, o caso chegou ao Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, que emitiu uma advertência ao professor. Mesmo docentes de outros cursos já disseram, através de uma carta, que a atitude de Peterson é “inaceitável, emocionalmente perturbadora e dolorosa”. E o caso não parou por aí: até o seu escritório de psicologia vem sofrendo atos de vandalismo por conta de sua posição.

Peterson vem resistindo como pode, como se fosse um personagem saído de um livro distópico escrito por George Orwell. Sua história, porém, é perturbadoramente real.

Fonte:
http://spotniks.com/7-vezes-em-que-o-politicamente-correto-passou-de-todos-os-limites-nos-ultimos-meses/

Nenhum comentário:

Postar um comentário